Arte com impacto: Peça “A Solidão das Cinzas”

Nos dias 5 e 6 de janeiro, esteve em cena, no Auditório Chaves Santos da Escola Secundária D. Pedro V, o espectáculo “A Solidão das Cinzas”, representada pelos alunos da turma 12º13 e encenada por Gonçalo Barata.

Esta peça, usando a técnica “Sombras Chinesas”, retrata de forma sublime a angústia, o desespero e o sofrimento dos povos que estão sujeitos ao poderio das armas e da ignomínia dos senhores do poder, que sem escrúpulos se abatem sobre os inocentes, para levar por diante os seus planos de guerra e de sujeição.   

Foi um momento sentido de Educação para a Cidadania que a turma do Curso “Intérprete/ Ator e Atriz” proporcionou aos alunos e à comunidade escolar, ao levá-los a refletir sobre o estado do mundo.

Segue-se a análise do crítico de teatro Tito Lívio:

TEATRO NO LICEU D. PEDRO V: UM EXCELENTE ESPECTÁCULO

“Assisti recentemente, no Liceu D. Pedro V, a um espectáculo teatral excelente, interpretado por alunos seus do Curso de Teatro e concebido, dirigido e desenho de som e luz do professor Gonçalo Barata.

Executado, na sua maior parte em sombras chinesas, com um fundo musical que dá azo às diversas marcações dos seus intérpretes e que marca o crescimento de uma tensão que, de estado latente, se irá intensificando, até a um final, já com os actores no proscénio, que nos deixa com um nó na garganta. Porque evoca, de uma forma intensa, os últimos anos na Europa e no mundo, com a pandemia/covid, 19 a repressão de mulheres e homens, tortura e assassinato ainda, promovidos por regimes ditatoriais cruéis e violadores dos mais elementares direitos humanos. E, no final, a guerra que começou com a invasão brutal da Ucrânia pela Federação Russa de Putin. Ou, seja um tema actual que colocou a Europa frente a uma não, pelo menos para mim, tão inesperada guerra. Um final impressionante num Liceu que tem, como alunos, rapazes e raparigas de várias nacionalidades.

Logo, no início e à entrada dos espectadores, há um breve intróito em ucraniano e alguns actores, sobretudo o que figura Putin, exprimem-se em russo, este mesmo num texto bastante extenso numa memorização e credibilidade óptimas. E as expressões, o trabalho dos corpos mesmo nas sombras chinesas, é bastante bom e significativo. E o desenho de som ajuda imenso a criar esta atmosfera progressivamente dramática e altamente impactante. Adorei e emocionei-me, fiquei quase sem palavras no final.

E estes alunos tiveram apenas um mês e meio de ensaios e dois dias para se adaptarem ao palco, para tudo coordenarem num sincretismo magnífico. Gostei ainda da solução da marcação das palmas. Imaginativa na sua dupla resolução. Gonçalo Barata pode orgulhar-se do seu/vosso espectáculo que não pode, não deve, morrer aqui. E que consciencializou melhor estes jovens para uma realidade dura, difícil e até heróica se falarmos na resistência do violentado povo ucraniano.

No final pude dar os parabéns aos actores e ao seu encenador que aliás aqui repito. Saí de lá de coração cheio. Um obrigado enorme a todos.

Intérpretes: Anthony Saldanha, Clara Zamorano, Clay Silva, Daniel Ramalho, Érica Martins, Filipa Almeida, Gabriel Santos, Gonçalo Escaleira, Gutta Fernandes, Joana Rita, Laysa Sousa, Leonor Morais, Lucas Gonçalves, Maria Caetana, Matilde Robles, Sofia Oliveira e Suleyna Fernandes. ADEREÇOS: Maria José Jacinto; colectivo. OPERAÇÃO DE LUZ: Gabriel Santos, Gonçalo Escaleira, Clara Zamorano e Gutta Fernandes. PRODUÇÃO EXECUTIVA: Clara Zamorano, OPERAÇÃO DE LUZ E SOM: Gonçalo Barata. ENCENAÇÃO; DESENHO DE LUZ E SOM: Gonçalo Barata.”